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RANDALL ESCREVE SOBRE DOM BACTONE
As pessoas continuam escrevendo sobre o grande Dom Bactone que ontem fechou o seu sebo e foi até o Centro Cultural pra assistir a estréia de "Ovelhas que voam se perdem no céu". O Bac merece, sempre. ( Mário Bortolotto)
A EXPERIÊNCIA BACTÉRIA
Se você gosta de livros - e existe uma tênue, mas fundamental diferença entre gostar de livros e gostar de ler -, o melhor lugar para adquiri-los é no Sebo do Bac.
Me sinto na obrigação de colocar aqui o endereço do Sebo, ali na Praça Roosevelt, nº 124, no Satyros 2; mas na verdade, eu ainda espero que um dia, ao mencionar Sebo do Bac, todo mundo saiba onde fica - claro que o "todo mundo" é um todo mundo restrito apenas a quem se interessa pelo assunto. Fiquei feliz quando uma amiga de BH, leitora desse blog, me mandou um e-mail dizendo que vinha pra São Paulo e queria saber onde ficava o Sebo do Bac, nessas horas sinto uma certa utilidade em escrever no Febre Alta.
Ando com vontade de escrever sobre o Bac desde que deixei meus derradeiros exemplares de "Não Cai do Céu, Daniel" com ele, mas desde então, o Pierre mandou muito bem na Revista MURO:
O Bac, como ficou conhecido pelos freqüentadores do sebo, é um cara ligado nas idéias da Contracultura. Acredita na Beatnikagem, eufemismo próprio que utiliza pra falar de boemia, amor à literatura e à cultura.
E o Marcelo Rubens Paiva engrossou o coro, na sua coluna do Estadão
.
Anselmo 'Bactéria' dos Santos, ou Bac, veio aqui em casa pegar os livros que comprei e ganhei. Encheu um carrinho de supermercado até o talo. Aproveitei e consignei 30 livros de minha autoria que publiquei nos anos 80 e 90. Acabaram de ser relançados pela Objetiva. Passei o ano reescrevendo-os; o sonho de todo escritor. Bac me perguntou quanto devia. 'Nada, cara, leva, é tudo seu.' No entanto, pedi para vender os meus 30 livros. Estranho. Como Cacilda Becker, não ofereci de graça aquilo de que tiro o meu sustento - mesquinhez de quem defende as regras do mercado. (...) Bac é do Capão. Trabalhou como bilheteiro de teatro, administra um sebo virtual, o sebodobac, e atende no Satyros 2, teatro na Praça Roosevelt. Seu sonho é montar uma editora. Organizou uma coletânea de contos de escritores que freqüentam a Roosevelt, Brother Cactus (Editora Alaúde). Seu ânimo, capricho e paixão pelos livros me contaminam.
(Marcelo Rubens Paiva)
É o "Dom Bactone" ficando famoso, e o cara merece! Onde mais você pode comprar um livro e:
1- Pedir uma cerveja no mesmo lugar? 2- Conversar com o vendedor e o papo valer a pena, sendo tão bacana quanto o próprio ato de comprar o livro! 3- Ver as pessoas chegando à mesa, contribuindo cada vez mais para o papo, que pode ir migrando de bar em bar...
Isso sem falar que é só no Sebo do Bac que você consegue encontrar algumas raridades, e no meu caso particular, é o único lugar no mundo em que eu vou pra comprar um livro e "corro o risco" de ver um livro meu sendo vendido, além de escutar o "capo de tutti capi" falar para o comprador:
- O autor tá ali na mesa, se quiser pegar a dedicatória!
Ok, egotrips à parte, a relação com o Sebo do Bac me persegue até quando estou em outros sebos, como num dia em que encontrei "Agora É Que São Elas", do Leminski, por 10 paus. Eu já tinha um em casa, mas achei que valia comprar aquele e jogar na mão do Bac, que ele daria um destino muito melhor que eu. Mal comparando, sei lá, é como se eu fosse um compositor e, na improvável hipótese de fazer uma música muito legal, entregar na mão do João Gilberto pra ele cantar.
Sacou?
O Jabá final é que, se você quiser adquirir os últimos exemplares de "Não Cai do Céu, Daniel", tem que ir no Sebo do Bac, mas se você morar fora de São Paulo e a capital do Palmeiras não estiver na sua rota, compre pela internet, www.sebodobac.com, mas aproveita e vê se compra coisa que preste, também!