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EU SÓ QUERO FICAR POR AQUI NA MINHA
O cartunista conversa comigo no MSN e reclamava dos lugares onde os artistas expõem seus trabalhos. Parece que a arte dele não tem muito espaço. O negócio quando rola, rola sempre em bares onde as pessoas nem olham o trabalho. A moda. O lugar do momento. Eu digo a ele que não fujo do meu casulo. Sou cria da rua. Tenho hábitos simples. Adoro um bom papo. Respeito as pessoas até o ponto que as mesmas me respeitem. Estou cansado de ser rotulado como ponte para novos escritores aparecerem. Minha caixa de e-mail vive cheia de textos, livros e esperanças de sucesso editorial. Já decidi não colocar mais livros de autores iniciantes no meu sebo. Peço por favor que não me indiquem e não me levem livros. Já tive muito trabalho com autor iniciante. O cara deixa o livro já pensando em trazer mais. Não é fácil vender livro de autor desconhecido. As pessoas se iludem muito. Não posso deixar de colocar um livro que vende para ceder espaço para o que não vende. No sebo só manterei os livros dos meus amigos pessoais. Os outros que me perdoem se for possível. Caso não gostem da minha atitude, é só me avisar que devolvo os livros consignados. Todos os livros de autores novos serão comercializados apenas pelo meu site. Não vou deixar ninguém na mão. Mas lá no sebo físico só vou trabalhar com livros vendáveis. Ninguém paga minhas contas. Eu tenho que matar um leão por dia. Estou de saco cheio. Não quero que me deleguem responsabilidades. Eu sou aquele cara que curte tomar uma cerva na companhia dos amigos. Sou apenas “Um homem de trinta que não quis crescer” como os versos da canção do Barão já diz. Não me importunem mais. Meu tempo já é tão curto. Não consigo nem administrar minhas funções paternas direito. Quero apenas paz. Meu irmão deixou um DVD do D2 aqui em casa. O D2 é contraditório pacas. Mas foi legal assistir a canção “1967”contando pro meu filho Pedro que eu e o meu grande amigo Wiltão pulávamos pela porta de trás dos ônibus e pichávamos muros. Puta época de molecagem. Naquela época não tínhamos responsabilidades. Ninguém depositava confiança nenhuma na gente. Sempre serei conivente com aqueles que escolheram a bela e angustiante opção de serem eternos meninos. Esta música é pra você Wiltão. Não se preocupe comigo amigo. Às vezes qualquer pessoa precisa de suas válvulas de escape. Pouco importa se o relaxamento é pela via lícita ou ilícita. O importante é sempre se manter no meio. A direita e a esquerda são apenas flerte da vida. O caminho é sempre o centro.
Escrito por anselmo às 11h07
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1967, o mundo começou Pelo menos pra mim E a minha história reduzida É mais ou menos assim: Nascido em São Cristóvão Morador de Madureira Desde pequeno acostumado a subir ladeira me lembro muito bem dos meus tempos de moleque que sempre passava as férias no final do 77 Padre Miguel sempre 10 na bateria saudoso Mestre André sempre soube o que queria futebol na rua F ou no campo de baixo Você sabe Meu tio gentil era um esculacho Andava pelas ruas vestindo o meu bate bola Se tu passasse em minha frente Era melhor tu sair fora Carnaval de rua perigoso e divertido Mas passei por tudo isso Entre mortos e feridos Graças ao meu pai O pessoal da tramela Sérgio Cabrito meu padrinho Não dava trégua Lembra do Cassino Bangu De vez em quando eu ia lá Curtir um funk, ver a mulherada rebolar Kool and the gang, gap band, outro mestre, James Brown Era só alegria Não tinha pau
Eu quero ver Se tu é homem mané Do jeito que eu fui E que eu sou Eu quero ver Se tu é homem mané Que nem a parteira falou
Escrito por anselmo às 10h54
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No Andaraí, Grajaú o bicho pegava mais Quando pichava muro Sempre tinha um correndo atrás Carlos Peixe, meu camarada De vez em quando no piche Outras na baforada Vida de moleque sempre sangue bom Calote no ônibus Pra ir à praia no verão Pra ficar um pouco mais Roubava no supermercado Foda-se...pra mim isso nunca foi pecado Sempre no Maraca vendo o Mengão jogar Zico, Adílio, Júnior, fazendo a bola rolar Como já dizia o hino, vou repetir com vocês Uma vez Flamengo Flamengo até morrer Meu avô Peixoto deixou meu sangue rubro-negro Me orgulho de ser carioca Me orgulho de ser brasileiro skate na veia, só quem tem sabe como é que é a sensação e o poder de dar um ollie-air Campo Grande, Norte Shopping Street no Mec À noite Circo Voador Show do De Falla e um Domec Vender Camisa na 13 de Maio Na situação show no Garage Skank, diversão de irmão Grandmaster Flash, Afrika Bambaata Planet Rock, Rap, break, graffiti Chegou o hip hop Cantando a vida Mas vista de um outro lado Não é apologia cumpadi Não adianta ficar bolado Entenda se a minha rima Não te faz rir Não é apologia parceiro Da licença, sai daqui Eu vim pra zoar Fazer barulho Falar um pouco de mulher Skate, som, bagulho Sempre ligado, sempre sabendo o que quer Sempre bom da cabeça, nunca doente do pé Eu vou levando a vida juro que vou Só no sapato, sempre sendo o que sou
Eu quero ver Se tu é homem mané Do jeito que eu fui E que eu sou Eu quero ver Se tu é homem mané Que nem a parteira falou
Escrito por anselmo às 10h53
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