 |
A LUCIDEZ PREVALECEU
Fiquei muito contente com a participação do Mano Brow no programa roda viva de ontem. O cara mostrou que é possível um homem viver acreditando nos ideais e lutando sem se contaminar com as regras ditadas pela sociedade dominante. Achei muito legal ele deixar claro que não é nenhum mártir. O cara não é o novo Antonio Conselheiro. Parece que certos jornalistas e intelectuais tentam transforma-lo nisso. Bacana um cara como ele que estudou apenas até a 8° série ter uma consciência de vida tão bacana. O cara faz a parte dele como cidadão. Ninguém precisa gostar do cara. Mas o respeito é necessário. Ele já construiu uma obra que ficara para história. O cara fala sobre as mazelas dos brasileiros. O povo que anda descalço enquanto neguinho torra grana no Iguatemi e janta no fasano. Olhar clínico e sonhador. Adorei quando o Brow falou: “ Se todo mundo tivesse estudo e respeito poderíamos disputar o mercado de trabalho pelo mundo afora. O Brasil seria forte”. Mas isso não vai acontecer nunca. A nossa elite sempre vai ser burra, preconceituosa e brega. Será que existe coisa mais brega do que viajar para fazer compras em miami em vez de ir dar um rolê pelo velho continente? Se eu tivesse grana iria atrás dos lugares por onde a civilização se formou. O povo cansou do sofrimento. Hoje em dia a molecada da perifa ta afim de ficar por lá . Curtir a vida na quebrada mesmo. A moçada que curte o Racionais não ta afim de fazer pinta de francês. Eu não sou o maior fã de rap, mas admiro muito o trampo dos caras. O rock virou moda. Fashion. Butique. Tenho colegas que cortam o cabelo franginha, usam tênis e calças modernas. Eles falam como se não tivessem cérebro pelos bares da rua Augusta. É meio doido presenciar isso. Na verdade eu tenho nojo de certas figuras. Não consigo sentar na mesa com gente que freqüenta faculdades renomadas e discorrem sobre seus filmes prediletos com desenvoltura, mas não possuem um pingo de humanidade nos olhos. Prefiro ficar ali na Roosevelt. Pelo menos ali naquele nicho conheço um pouco os meus assemelhados. Talvez por isso entendo e admiro o moleque que vive na perifa e sente orgulho de ser o que é.
Escrito por anselmo às 11h16
[]
[envie esta mensagem]
|
 |
 |