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BOM ANO AMIGOS
O ano acabou. Estou terminando um trabalho. Estive até terça passada na praia. Mergulhei, fumei, bebi e brinquei no mar com meu filho. Mas o trabalho me chamou de volta para cidade de pedra. Ou melhor: A missão. É que aceitei ser funcionário do Mirisola num lance de notas e talões fiscais. Gosto de fazer as coisas até o fim. Sou Caxias com trabalho. Acabei de receber um telefonema me avisando que o serviço esta pronto. Ufa! Missão mais do cumprida. Agora vou buscar as notas que me deram um trabalho filho da puta, depois levo os livros ao correio e me mando para praia. Literatura só no ano que vem. Este ano foi bem bacana. Fechamos o ano com um desconcertos bem improvisado. Mas foi muito legal. O porra do Kim pra variar me encheu o saco. Dia 03 de janeiro estou de volta a São Paulo. Comprei 20 exemplares do livro “Orfanato Portátil” de Marcelo Montenegro. Quem quiser a obra mande e-mail para: anselmolsantos@yahoo.com.br. Estarei respondendo e-mails somente neste endereço eletrônico. Aos meus amigos desejo felicidades e porres de final de ano. Os inimigos deviam me esquecer. Eu sou um chato que não merece ser levado a sério. Abraço para todos meus amigos.Eles sabem quem são.Belo calendário este ai de baixo.
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Escrito por anselmo às 13h00
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O NATAL DO MIRISOLA
Conto com panetone MARCELO MIRISOLA ESPECIAL PARA A FOLHA
EM POUCO tempo a dona-de-casa encontrará células-tronco na seção de iogurtes. Duvido que algum escritor -em pleno Natal de 2007- depois do rebaixamento de Plutão e do Corinthians, e depois de os cientistas terem decifrado o DNA do fungo que causa a caspa,duvido que algum escritor se atreva -outra vez?!- a sacanear o Papai Noel. Não aceito casos de entupimento em chaminés, alcoolismo e zoofilia. Não se metam com as renas! Sou capaz de processar o infeliz que fizer piadas com trenós, pedofilia e gnomos. Outra coisa. Jesus Cristo não era Francisco de Assis. São estilos diferentes, e no Natal comemoramos a festa de nascimento do chefão. Daí que não procede aquela conversinha: "Se o filho de Deus estivesse vivo, hoje, seria um mendigo". Por que não colunista da "Veja"? Também não consta que apanhava do padrasto, nem que a mãe vendia o corpo a troco de birita. Ele não tinha problemas em casa. Naquela época, os restos de comida não eram separados para reciclagem -o próprio mendigo fazia o cardápio, a vida era mais honesta- e, tirando a obsessão tola de querer salvar a humanidade, não acredito que Jesus C. tivesse motivos para trocar o "aconchego do lar" pelo banco da rodoviária. Outro blablablá de Natal -talvez o mais enfadonho de todos- é aquele que contrapõe crianças maltrapilhas e vitrines luxuosas. O truque é velho, nem o Angeli agüenta mais. Não funciona, no Brasil de hoje, não. Temos petróleo, a Copa de 2014, e um IDH invejável. Creio, portanto, que é viável controlar a pieguice, e falar de Natal: sem sacanear o Papai Noel. Vejam só. Dezembro de 2006, Rio de Janeiro. Aluguei um quarto-e-sala no Bairro de Fátima, na Riachuelo, antiga rua de Mata-cavalos. Aproximadamente 72 gatos (segundo a Defesa Civil) moravam no moquifo imediatamente ao lado do meu. Travestis mal-barbeados, vizinhos resignados, e angolanos ameaçadores. Eu passava os dias espirrando, e tentava pela milésima vez -sem sucesso- ler o chato do Saramago. Jorge Luis Borges dizia mais ou menos o seguinte: se o autor não conseguiu prender o leitor, quem perdeu foi o autor. No alvo, claro que sim. O leitor tem mais o que fazer, por exemplo: esquecer Saramago e seguir os passos de Evaristo Carriego, procurar os "entardeceres, os arrabaldes e a desdita numa Buenos Aires de casas baixas e chácaras gradeadas". Mas era Rio de Janeiro. E eu espirrava, e estava me estranhando com a Cacá. Choveu pra cacete naquela semana. E a Cacá apareceu com três DVDs da série "Hilda Furacão". Coisa mais lenta e besta. Horas e horas de enrolação para chegar a cinco minutos geniais de Mário Lago, e a oito segundos de peitinho da Ana Paula Arósio. Eis a questão. Os peitinhos da Ana Paula Arósio. Queria ver outra vez. Cacá tomou o controle da minha mão, e o jogou pela janela. Entendam. Era véspera de Natal, eu espirrava o dia inteiro, dormia num sofá-cama desconjuntado e úmido. Havia esperado horas para ver aqueles peitinhos. O pau quebrou e feio... decidi que a perdoaria se ela me trouxesse rabanadas no dia seguinte. Cacá não apareceu. Mas mandou um e-mail: "Se você tiver o TUPETE de me procurar outra vez, se vier encher meu saco... ah, moleque, eu te amasso essa porra de nariz de tucano. Vai pro inferno você e as rabanadas! Fui clara?"
Escrito por anselmo às 12h45
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Gosto das delicadezas da Cacá. E eu tinha de retribuir a clareza, quase transparência dela -não parava de chover no Rio de Janeiro. Comprei um panetone, e combinei de encontrá-la perto da Uerj, ela morava em Vila Isabel. Eu não sabia se segurava o panetone ou o guarda-chuva. Mas era Natal e chovia. De qualquer jeito, tinha que ser Natal. Eu faria qualquer coisa para dar aquele panetone pra Cacá. Seria atropelado, se fosse o caso. Sei lá, podia seqüestrar o babaca do Papai Noel. Qualquer coisa. Aceitaria até protagonizar um documentário do Zé Padilha: "Ônibus 171, o Seqüestro do Bom-velhinho". Isso tudo pra falar que, no 25/12, a gente sofre por rabanadas e pelos peitinhos da Arósio, cumprimenta o porteiro, e acredita no Papai Noel. Eu não tive outra alternativa. Nem ela. Quando a vi de capa amarela, e rindo da minha cara, nesse momento, entendi que estava tudo bem. Atravessei a rua, entreguei o panetone, e -ora bolas!- disse: "Pra você, Cacá. Feliz Natal!"
Escrito por anselmo às 12h44
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