DOMINGO 20 DE ABRIL
É o dia do meu aniversário.
Farei uma grande festa, como há muito não faço, no Juke Joint.
No palco do Juke: La Carne, Fábrica de Animais, Paulo de Tharso, Célio Brant e mais uma pá de gente que será cooptada até domingo.
Faltará o Mário, que estará filmando até as 10h30 da segunda. O homem é trabalhador.
No dia seguinte: feriado.
Fazer aniversário em véspera de feriado é bom, vou dizer.
Até o final da semana, dou mais detalhes.
Ah! Importante: Pedi ao Flávio que não houvesse ingresso no dia do meu aniversário, então ele me pediu que desse um toque nas pessoas para que levassem leite em pó.
E por que? Porque esse leite alimentará as crianças internadas no Hospital Emílio Ribas. Sim, soropositivas.
Crianças que convivem com o Flávio Vajman. Nosso amigo mal humorado faz lá um trampo voluntário.
Leve seus duzentos amigos.
(Fernanda D´Umbra)
Escrito por anselmo às 18h31
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No teatro Ruth Escobar sex e sáb 21h - dom 20h.
A POEIRA QUE VEM DOS OSSOS*
O poeta Sérgio Melo é um poeta/dramaturgo que age como se fosse um fotógrafo do cotidiano, mas sua fotos ampliam, junto com detalhes aparentemente comuns, dores ocultas.
No espetáculo Aos Ossos Que Tanto Doem No Inverno, Sérgio, além de discutir as conseqüências destruidoras de uma perda, faz uma puta présa poética ao inserir estes slides do cotidiano na fala de seus personagens.
Um dos personagens diz dos “ruídos do casamento”, estas pequenas coisas que podem detonar ou fazer perdurar um relacionamento: uma tampa do vaso sanitário baixada com violência, o banho demorado e ruidoso, a respiração ofegante durante o sono, a forma como ela enfia o pão dentro do pote de manteiga, chinelos... todos estes ruidinhos tem três estágios. Primeiro estágio é a surpresa, é quando eles começam aparecer e são bem vindos, são como uma descoberta, eles são conseqüências de um avanço em sua vidinha, uma nova relação, uma nova casa, uma nova chance, você começa a perceber uma nova escova de dentes no banheiro. Num segundo momento estes ruídos passam a ser infernais, são eles os primeiros a denunciarem o caos, a indiferença, são eles que apitam como um timer avisando que a relação está assada, pronta, passada, queimada, é o momento em que você evita ir ao banheiro pois sabe que vai encontrar lá aquela maldita escova de dentes que não é tua. O terceiro momento em que estes ruídos aparecem (e é essencialmente este que mais aparece no espetáculo) é quando estes sinais começam a tomar conta de sua casa, de você, mas não presentes: ausentes. O silencio indica que ali deveria haver um ruído. É quando você entra no banheiro e sente que falta uma escova de dentes.
A falta destes ruídos indicam que você está definitivamente sozinho, a espera de novos ruídos, este vácuo mostra que você perdeu, e aí meu irmão, não adianta abraçar-se a um trabuco esperando a morte, ou caçar seu desafeto por aí, fazer artesanato, arranjar um emprego, matar, fugir...a única coisa razoável a fazer é providenciar bom estoque de Chet Baker porque é certo que os ossos doerão o inverno todo.
(Márcio Américo)
Escrito por anselmo às 18h29
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Escrito por anselmo às 17h09
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